EDUCAÇÃO Nosso jeito de pensar e agir
POSTADO EM 17 DE ABRIL DE 2009 POR SANDRA LOPES MACHADONossas crianças estão sempre alegres. Circulam livremente pela escola, mas em nenhum momento se observa ociosidade. Há sempre o que fazer. O grande prazer pelas atividades é evidente. Comentamos entre os professores que segurança e portões fechados são mais um cuidado de fora para dentro do que de dentro para fora. Se todos os acessos pudessem ficar abertos, ninguém sairia. Não há motivo para que isto aconteça. Praticamos uma pedagogia na qual o medo e o autoritarismo não encontram espaço. Para nós, autoridade tem a ver com responsabilidade e o medo pode ser substituído pelo amor com mil vantagens. Já nos perguntamos a nós mesmos e aos outros se nossas crianças parecem indisciplinadas para quem olha pela primeira vez. Ao contrário, as pessoas nos dizem que a tranqüilidade e a paz que reinam em nosso ambiente é que chamam atenção. Talvez já seja este clima um resultado da nossa forma de ver a disciplina. Eles são crianças. Brincam, correm e falam bastante, mas são obedientes porque não querem desapontar seus professores. Sempre perguntam se podem ou não fazer alguma coisa que foge à rotina normal. Às vezes permitimos, outras vezes não. Sempre que negamos algo explicamos o porquê. Eles entendem. Mesmo frustrados, aceitam o não sempre que percebem que não há mais como argumentar. Criamos nossas próprias regras junto com as crianças. Cada turma elabora suas leis, de acordo com a idade e o grau de autonomia dos alunos. A professora regente media este trabalho. Todas as turmas, porém, constroem suas leis baseadas na mesma ideia. No início do ano, discutimos longamente com as crianças as seguintes questões: - Para conviver bem, é preciso que tenhamos confiança uns nos outros.
- Só dá para confiar um no outro se o respeito estiver presente.
- Mas, afinal, o que significa respeito?
- O que é ter respeito?
- O que devemos respeitar nas outras pessoas?
Existem cinco coisas que devemos respeitar. As outras estão sempre ligadas a uma delas: - A liberdade. Todos devem ter liberdade para pensar e agir de formas diferentes. A única coisa que precisamos lembrar é que a nossa liberdade não pode incomodar o outro.
- As diferenças. Ninguém é melhor nem pior do que ninguém. Somos todos diferentes uns dos outros e isto é que faz a vida ser bonita.
- A propriedade. Só nos pertence aquilo que compramos com o nosso dinheiro ou o que ganhamos de alguém. Aquilo que você não comprou nem ganhou não é seu. É de outra pessoa, da escola ou da natureza. Não pode pegar, mesmo que você tenha achado e não saiba de quem é. Deixe num local combinado para que o dono verdadeiro possa encontrar.
- A vida. Toda vida é preciosa. Ninguém tem o direito de tirar a vida de uma planta, matar ou causar dor a um animal. Só há duas situações em que isto é aceito: para que nos sirvam de alimento ou quando oferecem perigo real para nossas próprias vidas ou nossa saúde. Mesmos nestes casos, devemos agir com respeito e evitar desperdícios.
- A autoridade. Autoridade é consequência da experiência, conhecimento e responsabilidade. Os pais e educadores têm mais experiência do que as crianças. Por esta razão são responsáveis por seus filhos e alunos. É isto que lhes dá autoridade. Eles sabem e devem explicar o porquê das coisas, e por isso devem ser obedecidos.
|