CONTRIBUIÇÕES O remédio imprevisto
POSTADO EM 20 DE MAIO DE 2009 POR SANDRA LOPES MACHADOA história a seguir é uma contribuição de Adélia Tanaka, mãe da aluna Juliana, do 3º ano. Trata-se de uma adaptação do livro ?Alvorada Cristã?. Os desenhos são de Marcus Azuma e o projeto gráfico de Kaue Dickow. Julião era um menino e, diferentemente dos meninos de sua idade, Julião não brincava. Ele não brincava, não estudava e não comia. Não que ele não gostasse. Não era isso. Mas, desde que ele nasceu, já nasceu um pouco doente. Desde cedo, então, foi tratado como um principezinho. Quando tentava fazer alguma coisa, logo vinha sua mãe. 
Julião, nessa época, ainda não usava palavras que fizessem muito sentido. Respondia alguma coisa muito parecida com... 
Mas, como sua mãe não entendia uma só palavra do que dizia, vinha, pegava-o no colo e o colocava em sua cadeira novamente. 
Julião foi crescendo. E quanto mais ia crescendo, menos vontade sentia de fazer essas coisas que meninos da sua idade fazem. 
Mas, um dia, a coisa piorou de vez. Se pegava aqui, doía ali. Se pegava ali, doía acolá. 
Uma hora era dor de cabeça. Na outra, era dor de barriga. Quando essa passava, vinha logo a dor no dedão do pé. 
E assim foi feito. Entra médico, sai médico. Cientista vai, cientista vem. A mãe até prometeu uma grande recompensa se alguém curasse o filho. Até que um dia, quando a coisa parecia que não ia ter jeito mesmo, apareceu um velhinho muito humilde, desses que mais parecem um sábio. 

Prontamente, a mãe de Julião aceitou. E, no dia seguinte, o menino foi entregue ao ancião. No outro dia, bem cedo, o velhinho levou o menino até sua casa. Na verdade, era uma pequena chácara afastada da cidade. Logo que entraram e passaram a porteira, Julião avistou, perto de um pequeno lago, uma imensa horta, e no meio dessa horta algumas macieiras. 

Julião até pensou em ajudar o velhinho a arrancar aquele mato todo, mas logo ouviu a voz da mãe. 
Mas daí Julião pensou em como seriam saborosas aquelas maçãs. 
E assim fizeram. Correram até a velha casa, pegaram pás, enxadas e todas essas coisas que se precisa para limpar, cortar e arrancar. Julião estava na maior animação. 
O velho só olhava para o menino e sorria. Quase perto do meio-dia, Julião disse que estava com fome. Os dois limparam então o suor do rosto e o velho levou o menino para almoçar. Julião, um piscar de olhos, devorou tudo que o ancião havia feito para o almoço. 
No dia seguinte, Julião ajudou a pintar a casa do ancião, aprendeu a manusear o pincel, misturar as tintas e escolher as cores. Ao fim daquele dia, alimentou-se ainda melhor. E assim corriam os dias. E quando notaram, já havia passado uma semana. Julião estava cada vez mais animado. Acordava cedo, ajudava o ancião em algumas tarefas domésticas e depois cuidava da horta. À noitinha, antes do jantar, tomava seus livros e cadernos para estudar. Depois de duas semanas, Julião voltou para casa. Sua mãe quase não o reconheceu. Era um outro menino. Agora estava rosado, robusto e feliz. 
A mãe ficou muito satisfeita e tentou recompensar o velhinho, mas ele não aceitou. 
Dito isso, o velhinho desapareceu na multidão e ninguém mais o viu. |